Voltando

...

Paralelo

Paralelo
pa.ra.le.lo 

adj
(gr parállelos) Geom 1 Designa linhas ou superfícies que conservam sempre a mesma distância uma das outras em toda a sua extensão. 2 Que marcha a par de outro ou progride na mesma proporção. 3 Análogo, semelhante.

VI

~ ~

Era início de Novembro, finados! Logo chega Dezembro e nós continuamos separados. Peguei meu carro e resolvi sair sem rumo, cansado, confuso... Abalado prumo!
O céu de fim de ano, nublado, sem vida. Um condutor insano, calado, de alma perdida. Abaixo os vidros e o que eu vejo!? Um homem caminhando sozinho, triste, e único, como um fúnebre cortejo.

~ ~

A estrada é vazia, posso conduzir com certos descuidados... Olho para a frente, mas não espero chegar em algum lugar. Só quero continuar o trajeto, sentir o vento...
No asfalto, duas linhas amarelas correm junto à mim. E eu, tendo você em meu pensamento constante, logo consigo associar até isso a nós!
Estamos correndo lado a lado, buscando chegar no mesmo local, pela mesma direção, a mesma velocidade... Nenhuma lombada, buraco, nem mesmo as curvas ousam separar. Se vez por outra nos fragmentamos, ora você, ora eu, basta percorrer alguns metros e logo estamos nós, contínuos novamente. Até aonde? Aonde queremos ou aonde podemos?
Olho pelo retrovisor...

~ ~

Dirigi tanto mas vejo aquele homem entretanto. Mesmo toda a distância que passou, e ele bem próximo de mim continuou. Andando, olhar sempre fixo a frente. Olhar triste, como quem carrega uma dor que só ele sente. 
Viajante sem ideal também? Como eu, você, e quem sabe mais cem! Sem fé, apenas a estrada que ele cruza a pé, esperando que dos céus volte um novo significado, ou um propósito antigo, há muito tempo para trás deixado...
Atravessa a estrada triste homem! Quem sabe consegue chegar até a cidade. Enquanto eu dirijo, e finjo que tu não és minha realidade! 
E as linhas paralelas ficam a continuar, lado a lado esperando se encontrar... 


Aventura

Aventura
a.ven.tu.ra
sf (lat adventura) 1 Acontecimento imprevisto. 2 Ação ou empresa arriscada.3 Conquista amorosa. 4 Sucesso romanesco. 5 Patuscada. 6 Risco. 7 Acaso, sorte.

V


Então era isso! Eu era uma marionete nas mãos dela... E eu podia dizer isso sem medos, eu estava nas mãos dela naquela altura. E não conseguia ficar sem pensar. O que eu deveria fazer, pensar?
Ela se tornava cada vez mais irresistível! E não somente pela atração física, mas eu já deseja partilhar do tempo com ela. Ela ia além daqueles olhos mágicos, aquele seu poder de sedução, sua beleza em geral... Ela sabia conversar, articulava muito bem as palavras... Ousaria dizer que ela era uma exímia manipuladora, não estaria tão errado, afinal, ela me manipula facilmente, mas acho que essa palavra seria pesada demais. Vale lembrar que eu não resisto e não acho isso de todo ruim!
Mas do jeito que estava eu não podia continuar. Decidi que queria vê-lá longe de mim. Sei que ela trabalha em sua própria clinica, mas também sei que ela da plantão no hospital hoje. É um ambiente corrido, posso facilmente entrar lá e procurar por ela. (Nossa, estou me sentindo um espião! A que ponto eu cheguei!?)
Pois bem, e cá estou. No hospital, fingindo visitar um amigo internado, andando pelos corredores tentando encontrar com ela. E então, alguns metros a minha frente, eis que a vi conversando com as enfermeiras...

Deslumbrante em sua infinita beleza, um anjo vestido de branco com toda certeza! Atenciosa, elegante e carinhosa. Não deixava de cumprimentar quem passava, sorria e a todos encantava. Desejava intimamente ser então, aquele que esperaria por ela no lar. Dar o repouso merecido em meus braços ao abraçar, sua cabeça delicadamente reconfortar. Como desejava ser... Sua cabeça deitada em meu peito, aonde me coração mais devagar haveria de bater, recitaria versos em tom manso, tudo para que nada atrapalhasse seu descanso. 
Ah, doce ilusão... Amarga vontade. Meu desejo é um, mas é outra a verdade!

Peguei um pedaço de papel e escrevi um bilhete. Deixei com uma das enfermeiras e pedi que entregassem para ela.
"Não sei se deveria chamar de saudade, mas algo me motivou a escrever para ti. Como você é linda!"
Voltei pra casa, e fiquei tentando disfarçar minha ansiedade em receber uma mensagem dela, mas antes que eu pudesse dormir, a tal mensagem chegou.
"Se não é saudade, me diga o que é, afinal ler suas palavras aliviaram esse sentimento desconhecido"

Estava claro, estávamos embarcando em uma aventura por uma linha tênue entre o perigo e o desejo. 
Mas eu não queria parar.

Camaradas: