Elegia

Em qualquer lugar, neste universo, aonde haja uma Lua com brilho forte o bastante para acender a esperança nas almas das pessoas...

Garçom, deixe-me falar! Bem sei que já bebi demais, mas eu imploro para ainda ficar, permita-me que eu conte uma ultima história! De amor, de glória! Permita que o boêmio conte esta história! 
Em clima de elegia, num tom de felicidade... Um misto de tristeza e alegria, um conto sobre um rapaz de uma pequena cidade...
Carregava consigo a maldição de um século que se passou. Bebeu, sorriu, viveu e amou. Tal como quantos, em meio a muitos sorrisos e prantos, de rosto comum, corpo franzino... Apenas mais um... Homem, com alma de menino! Levara uma vida em conflito, próxima de ser vazia... Se Pierrot era, Arlequim lhe seduzia, se Arlequim era, Pierrot o possuía!
De Byron até Álvares, sua escrita era tocante e profunda. Quem lera, sentia-se como um prego, que jogado n'água, não afunda! Há quem diga, que depois de ler, você há de sorrir, deixa de viver, e passa somente a existir... O que será que havia de tão especial, em palavras, frases... Tendo como fim, sempre um ponto final?

Nesse momento, uma linda mulher se aproxima do balcão e diz:

Conheço este que deixa tua mente inquieta, só pode ser o mesmo a quem chamo de "meu poeta", e só de lembrar, uma dor em meu peito invade, esta dor, como ele mesmo diria, "esta dor tem nome, se chama saudade!"
Se queres entender, porque é também meu desejo, não posso morrer sem saber, porque vivi sem ter aquele beijo.
Se for para ajudar, me sirva deste vinho, afinal, também tenho uma história para contar...


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Lembro... Daquele olhar... Penetrante, contundente! Cheio de vontade de amar, mas nunca amado, infelizmente...Tola fui eu! Que desperdiçara a chance de lhe chamar de meu! Um dos poucos, se não único que sempre me entendeu... Racional, analítico... Por vezes passional e sempre muito crítico. De fato, quem lê uma poesia, que seja dele a autoria, muda o seu conceito sobre amor e alegria. E nesta homenagem a que me ponho, vou além! Suas escritas eram um pedaço de sonho, uma prece aonde o ponto final se fazia de amém!
Por quantas vezes eu errei, e quem sempre me amparava, nas vezes que errei e chorava, era ele. Me levava ao céu depois de cair no inferno... Que saudade de meu poeta eterno!
Que saudade daquela poesia, que saudade de ter alguém que me entendia...

Fez-se, talvez pouco mais de um minuto de profundo silêncio... Lágrimas teimosas surgira nos olhos daquela bela mulher...

Pode-ser que seja o mesmo então! Pois, não há sequer uma só pessoa que fale dele, e não sinta uma triste emoção. Diz um antigo ditado: Ninguém se esquece daquele, que em segredo, foi nosso eterno amado! Hoje, infelizmente, vivo de lembranças, sofro calado!


~~ 

Muitos eram aqueles que tinham alguma história para contar sobre o tal escritor. Histórias de amizade, aventuras, amores, romances...
Ao final, todos aqueles que o conhecera conseguiram chegar a uma conclusão:

Seus textos eram o reflexo exato de sua vida. Assim como os escritores tentam transformar sentimentos em palavras, este poeta o fez! Contos e poemas inspirados naquilo que nunca existira, apenas em sua imaginação. Desejos que nunca se realizaram, mulheres platônicas, que por vezes era só que lhe agradava. Não era necessário o envolvimento, ele apenas admirava a existência. Valorizava grandiosamente os simples detalhes, sabia que eram os pequenos detalhes que fazem as grandes diferenças. Neste mundo de hoje, aonde é tão raro uma atitude pura, quando vemos a sinceridade, compaixão e amor, nos espantamos e ficamos sempre muito admirados...
E talvez, tenha sido isso que ocasionara sua morte. Se eu o bem conhecia, não seria possível para ele continuar vivendo em um mundo aonde as pessoas competem entre si de forma suja. Um mundo aonde, o amor causa mais dor do que prazer, aonde o ciúme, ao invés de esquentar o romance, destrói, um mundo aonde o ponto alto do amor é usado como arma de sedução. Oras, o sexo deve ser usado para contribuir para o desenvolvimento do amor, nunca para atrair o amor! Beijos em pessoas que não se conhecem, abraços frios e vazios, olhares sem vida, mãos que não se tocam, almas que não se combinam...
Hoje posso perceber que ele tinha razão em muitas coisas! Tais como, uma alegria momentânea não vale mais que uma contínua felicidade, ou como quando ele dizia que a vida era linda demais para ser desperdiçada com tristezas... Prezar sempre pela racionalidade, mas aceitar que, um bom raciocínio é aquele que sabe a hora quando a emoção deve falar mais alto.
Sinceridade nunca foi virtude, sempre foi obrigação, amar nunca foi forçado, sempre foi um privilégio garantido para todos aqueles que iam além dos olhos para enxergar!
Felizes são aqueles que amam! Felizes são aqueles que sabem o quão maravilhoso é a vida, os amigos e amigas, e principalmente, felizes são aqueles que conseguem sentir as energias positivas que o universo nos envia a cada instante, nos permitindo sempre novas e novas possibilidades de viver...

Como assim? Ele morreu?
Sim, parou de escrever recentemente...

1 comentários:

Finalmente é possivel ver de novo nos seus textos aqueles que lhe inspiram Alavres, Byron, e a poesia em si! Só que dessa vez mais maduro, mais vivido talvez! Em algumas partes o texto parece dar voltas, e se faz necessario voltar ao incio, mas ter de re-ler não vem como algo ruim, mas uma ba oportunidade para enxergar mais detalhes! parabéns! gostei bastante!

 

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